Responsável pela Submissão

Ana Isabel Vieira (Cédula nº 23214) | Entidade: Escola de Psicologia - Universidade do Minho | Endereco: Campus de Gualtar | Cidade: Braga | País: Portugal | Email: anaisabelvieira13@gmail.com

Autores

Ana Isabel Vieira Sónia Gonçalves

Equipa Técnica

Psicólogo

Nível de Intervenção

Tema

Competências de comunicação | Competências socioemocionais | Controlo de impulsos e resolução de problemas Aumento da satisfação corporal/investimento emocional no corpo

Estratégias

Psicoeducação | Treino de competências Atividades de grupo

Público-Alvo

Adultos

Contexto da Aplicação

Comunitário

Descrição Livre

Desenvolveu-se uma intervenção psicológica, dirigida a pacientes com perturbações do comportamento alimentar e história de ferimentos autoinfligidos sem intenção suicida (presença atual e/ou passada). A intervenção foi baseada em fatores de risco empiricamente demonstrados e em manuais de tratamento com eficácia comprovada (Barlow et al., 2011; Fairburn, 2008; Linehan, 2015; Walsh, 2012). Tratou-se de uma intervenção de natureza breve, em grupo, adicional ao tratamento usual e psiquiátrico para as perturbações do comportamento alimentar, com seis sessões presenciais e quinzenais, conduzidas em contexto hospitalar (Centro Hospitalar Universitário de São João). Esta intervenção incluiu a psicoeducação, o contacto direto entre participantes e entre participantes-Psicólogas, e a promoção de estratégias ou competências em domínios de risco envolvidos no desenvolvimento e manutenção da psicopatologia alimentar e dos ferimentos autoinfligidos – dificuldades na regulação emocional, no controlo de impulsos, na resolução de problemas e na comunicação interpessoal, e insatisfação corporal ou falta de investimento emocional no corpo.

Critérios de Qualidade

Inclui avaliação de resultados pré-pós-teste | Inclui avaliação em follow-up

Objectivo geral

Promover competências adequadas para lidar com dificuldades em domínios de risco envolvidos nas perturbações do comportamento alimentar e nos ferimentos autoinfligidos.

Objectivos específicos

1. Promover competências de regulação emocional, controlo de impulsos, resolução de problemas e comunicação assertiva, e melhorar as atitudes e experiências com o corpo e a imagem corporal; 2. Reduzir a frequência dos ferimentos autoinfligidos nos indivíduos que relatem a presença atual desses comportamentos; 3. Prevenir o reaparecimento de ferimentos autoinfligidos nos indívíuos que relatem uma história passada desses comportamentos.

Teoria / Modelo conceptual

Integra estratégias da terapia cognitivo-comportamental, baseadas em manuais de tratamento empiricamente validados (Barlow et al., 2011; Fairburn, 2008; Walsh, 2012). Barlow, D. H., Ellard, K. K., Fairholme, C. P., Farchione, T. J., Boisseau, C. L., Ehrenreich- May, J. T., & Allen, L. B. (2011). Unified Protocol for Transdiagnostic Treatment of Emotional Disorders. Oxford: University Press. Fairburn, C. G. (2008). Cognitive Behavior Therapy and Eating Disorders. New York, NY: Guilford Press. Walsh, B. W. (2012). Treating self-injury: A practical guide. New York, NY: Guilford Press.

Indicadores da avalição do processo

Para avaliar a viabilidade e aceitação da intervenção, examinou-se o processo de recrutamento e a retenção dos participantes. Além disso, no final da intervenção, foi aplicado um questionário para avaliar a satisfação dos participantes com a intervenção: Questionário de Satisfação do Cliente (CSQ-8; Attkisson & Zwick, 1982; Versão Portuguesa de Machado & Klein, 2002). No final desse questionário, adicionaram-se questões como: "Quais foram, para si, os maiores benefícios da participação no grupo de intervenção? O que lhe foi mais útil?"; "Quais foram os momentos ou atividades mais importantes/memoráveis para si?"; "Houve algum aspeto da intervenção que não achou tão útil ou que gostaria de mudar?; "Que outros temas e estratégias gostaria de ter abordado na intervenção?"; "Imagine que alguém próximo estaria a pensar em participar no grupo de intervenção e, por isso, você é chamado/a a dar o seu testemunho. Escreva, por favor, um breve testemunho sobre a sua experiência na intervenção em grupo." Attkisson, C. C., & Zwick, R. (1982). The client satisfaction questionnaire. Psychometric properties and correlations with service utilization and psychotherapy outcome. Evaluation and Program Planning, 5(3), 233–237.

Indicadores da avaliação de resultados

Para avaliar os resultados da intervenção, foram aplicados instrumentos de avaliação em três momentos: pré-intervenção, pós-intervenção e follow-up aos 3 meses. Instrumentos: - Questionário Sociodemográfico e Clínico. Este questionário foi administrado apenas no momento pré-intervenção. - Questionário de Alimentação (Eating Disorder Examination; EDE-Q; Fairburn & Beglin, 2008; Machado et al., 2014). O EDE-Q foi aplicado nos três momentos de avaliação. - Questionário dos Ferimentos Autoinfligidos (Self-Injury Questionnaire – Treatment Related; SIQ-TR; Claes & Vandereycken, 2007). O SIQ-TR foi aplicado nos três momentos de avaliação. - Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (EDRE; Gratz & Roemer, 2004; Coutinho, Ribeiro, Ferreira, & Dias, 2010). A EDRE foi administrada nos três momentos de avaliação. - Escala do Comportamento Impulsivo UPPS-P - Subescala de Urgência Negativa (Whiteside, Lynam, Miller, & Reynolds, 2005). Esta subescala foi aplicada nos três momentos de avaliação. - Escala do Investimento Corporal (Body Investment Scale; BIS; Orbach e Mikulincer, 1998; Fernandes, Vieira, Rodrigues & Gonçalves, 2019, manuscrito em preparação) Esta escala foi preenchida pelos participantes nos três momentos de avaliação.

Referência de instrumentos válidos para a população Portuguesa

Questionário de Alimentação - Eating Disorder Examination Questionnaire: Machado, P. P. P., Martins, C., Vaz, A. R., Conceição, E., Bastos, A. P., & Gonçalves, S. (2014). Eating disorder examination questionnaire: Psychometric properties and norms for the Portuguese population. European Eating Disorders Review, 22, 448–453. doi:10.1002/ erv.2318. Escala de Dificuldades de Regulação Emocional: Coutinho, J., Ribeiro, E., Ferreirinha, R., & Dias, P. (2010). The Portuguese version of the difficulties in emotion regulation scale and its relationship with psychopathological symptoms. Revista de Psiquiatria Clínica, 37, 145–151. doi:10.1590/S0101-60832010000400001. Escala do Comportamento Impulsivo UPPS-P - Subescala de Urgência Negativa: Lopes, P., Oliveira, J., Brito, R., Gamito, P., Rosa, P., & Trigo, H. (2013). UPPS-P, versão portuguesa. Unpublished manuscript, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, Portugal. A validação da Escala do Investimento Corporal está em preparação pela equipa de investigação, na qual se incluem as autoras desta intervenção.

Investigação

Avaliação em follow-up: 3 meses | Resultados da investigação replicados noutras investigações